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Doença celíaca e alimentação sem glúten em destaque no II Workshop de Nutrição do CHTS
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Doença celíaca e alimentação sem glúten em destaque no II Workshop de Nutrição do CHTS

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Doença atinge “cerca de 1% da população portuguesa”, diz bastonária da Ordem dos Nutricionistas

A Unidade de Nutrição do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) realizou ontem, 29 de maio, o II Workshop de Nutrição com especial enfoque na Doença Celíaca e alimentação sem glúten.

A iniciativa, dirigida a profissionais da área da saúde, realizou-se no Hospital Padre Américo, em Penafiel, e teve como objetivo a partilha de conhecimentos e saberes, visando a melhoria da alimentação dos utentes e a redução de complicações a nível da saúde.

Na sessão de abertura do Workshop, Carlos Alberto, presidente do Conselho de Administração do CHTS, afirmou que o trabalho da Unidade de Nutrição “tem sido acompanhado de perto, na articulação com os Cuidados de Saúde Primários, com a Unidade de Nefrologia, através dos rastreios metabólicos realizados nas escolas, a relação com a Pediatria, tudo isto mostra a importância do trabalho multidisciplinar para a melhoria dos cuidados prestados à comunidade”.

Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, esteve também presente na sessão de abertura, relembrando que iniciou a sua carreira no Hospital de São Gonçalo, em Amarante.

Em relação à Unidade de Nutrição e ao evento, a bastonária dos Nutricionistas referiu que “é um Serviço de excelência e este é um tema pertinente. A Doença Celíaca atinge cerca de 1% da população portuguesa, pode não parecer muito, mas podemos melhorar a qualidade de vida destas pessoas”.

“O tratamento passa por uma abordagem nutricional, no entanto é preciso uma intervenção conjunta, com médicos e enfermeiros. Só assim é possível levantar questões e chegar às melhores práticas”, finalizou Alexandra Bento.

Estiveram também presentes na mesa de abertura, André Silva, vogal do Conselho de Administração, Edite Tomás, em representação do diretor clínico, e Joaquim Moreira, em representação do enfermeiro-diretor.

O programa do II Workshop de Nutrição dividiu-se em dois temas centrais. O primeiro foi sobre a Doença Celíaca, onde foram abordados vários tópicos que incluíram a visão do médico no adulto, a abordagem nutricional, a Deficiência de selénio em Portugal e consequências para os celíacos, a abordagem da Doença Celíaca na Consulta de Pediatria e o testemunho de uma adolescente, diagnosticada aos 7 anos de idade, que relatou a sua experiência pessoal na forma de lidar com a Doença Celíaca.

A Doença Celíaca é uma doença autoimune, com predisposição genética, que implica sensibilidade permanente ao glúten. Carateriza-se pelo estado inflamatório da mucosa quando ingerido glúten, com diversas reações locais, provocando uma deficiente absorção de nutrientes no intestino. Pode surgir em qualquer faixa etária.

Rita Pimentel, do Serviço de Gastrenterologia, perante a suspeita de Doença Celíaca, alertou para a importância “da certeza do diagnóstico. Ter sensibilidade ao glúten é diferente de ter Doença Celíaca. Esta patologia, entre outras complicações, implica um risco aumentado de cancro no intestino. Cumprir uma dieta sem glúten, diminui esse risco”.

Sara Serdoura, estagiária da Unidade de Nutrição, apresentou algumas dicas úteis para garantir a dieta: “excluir o glúten e procurar alimentos substitutos; verificar sempre os rótulos; priorizar o consumo de frutas e legumes da época, são mais baratos; evitar fritos fora de casa, e experimentar novas receitas”.

Inês Veiga, licenciada em Ciências Farmacêuticas, falou sobre a deficiência de selénio em Portugal e consequências para os celíacos, referindo que os principais problemas “má absorção de nutrientes em geral e, ao retirar os cereais da alimentação por causa do glúten, estamos a retirar uma das principais fontes de selénio. O selénio é um micronutriente que tem várias funções no organismo e contribui, por exemplo, para uma normal e equilibrada função da tiroide”.

Sobre a abordagem da Doença Celíaca na consulta de Pediatria, os sinais e sintomas da doença variam, mas normalmente “a criança apresenta alterações de crescimento e distensão abdominal sem razão aparente”, referiu Ana Reis. “Assim que é iniciado o regime nutricional sem glúten, essas alterações recuam e a criança recupera o seu potencial de crescimento genético”.  A principal dificuldade apontada pela pediatra para o tratamento é “motivar a criança e a família para seguir a dieta”.

Isabel Gomes, coordenadora da Unidade de Nutrição do CHTS, relembrou que a restrição de glúten só faz sentido na Doença Celíaca ou na sensibilidade ao glúten. “Não há qualquer benefício em retirar o glúten em pessoas que não tenham a doença. Quem é celíaco, deve retirar. Por uma questão de moda, não deve ser retirado. Até porque os produtos sem glúten são mais caros e, normalmente, têm na sua composição mais gordura e mais açúcar que podem trazer outros problemas”.

Sobre a suplementação do selénio, Carla Fraga, diretora do Departamento Médico do CHTS, alertou que bastam pequenas quantidades deste oligoelemento. “Este micronutriente em excesso pode ter consequências graves”.

O segundo tema foi dedicado à Nutrição Pediátrica e contou com a colaboração do ACES Tâmega II – Vale do Sousa Sul. Alimentação diversificada no primeiro ano de vida foi o tópico abordado sob as perspetivas e experiências do médico e enfermeiro dos cuidados de saúde primários.

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