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Corpo de Deus: Cidade será contaminada com várias exposições interactivas e de recuperação da memória

Corpo de Deus: Cidade será contaminada com várias exposições interactivas e de recuperação da memória

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Corpo de Deus: tradição em Portugal remonta a 1282

Penafiel orgulha-se de não deixar cair no esquecimento tradições seculares

Cidade será contaminada com várias exposições interactivas e de recuperação da memória

Eucaristia e bênção à cidade com transmissão em directo nas redes sociais.

A actual pandemia do covid-19 cancelou milhares de eventos um pouco por todo o mundo, e Penafiel não foi exceção. Contudo, a Câmara Municipal de Penafiel está decidida a não deixar de assinalar as suas tradições mais seculares, preservando-as na memória de todos.

As festividades do Corpo de Deus que em Portugal remonta, pelo menos, ao reinado de D. Dinis, tendo começado a ser celebradas em 1282, são também festas de “immemorial costume”, em Penafiel, onde ainda hoje se revestem de características únicas no país, não só pela manutenção da secular celebração desta grandiosa festa da cidade e do concelho, como pela persistência de vários dos elementos profanos que originalmente a compunham.

Com as limitações impostas pela pandemia do COVID 19, quanto a grandes ajuntamentos, o Município de Penafiel não quis deixar cair no esquecimento esta tradição secular, como já o fez em abril com as Endoenças, e criou formas alternativas para que todos possam celebrar e deixar viva a memória de tempos antigos.

Assim, a cidade de Penafiel vai ser invadida com vários elementos alusivos a esta tradição secular com informação, fotografias, vídeos e elementos gráficos sobre a Procissão do Corpo de Deus, da Cavalhada, o desfile do Carneirinho, os Bailes dos ofícios, a Bicha Serpe, o Estado de S.Jorge e o Carro Triunfal.

As exposições são constituídas por grandes painéis e estruturas físicas e interactivas com QRCODE´s que redireccionam on-line, o utilizador para vídeos, fotos e histórias alusivas ao tema, estando distribuídas por vários pontos do centro da cidade, desde a biblioteca até ao Sameiro.

Por estes dias os visitantes poderão ainda fazer parte de um circuito de memórias, disponível no comércio local, com fotografias antigas e informação sobre curiosidades e factos. O objetivo é também envolver o comércio Local, com a colocação de imagens em vinil nas montras, motivando as pessoas a parar e aceder à informação.

A Câmara Municipal vai ainda oferecer bandeiras ou pequenos estandartes à comunidade, que as desejem colocar nas suas janelas ou varandas para celebrarem as festas da cidade e do concelho.

No dia do Corpo de Deus, dia 11 de Junho, a celebração da Eucaristia, na Igreja Matriz, às 11h30, e a bênção à cidade, do alto do Jardim do Sameiro, às 19h00, terão transmissão em directo, nas redes sociais.

Esta iniciativa respeita todas as recomendações das autoridades de saúde, sem promover os habituais ajuntamentos de dezenas de milhares de pessoas, que ano após ano, se deslocam à cidade de Penafiel para assistir ao desfile do Carneirinho, à Cavalhada ou à procissão do Corpo de Deus.

Na Praça Escritaria, no Sameiro, e no centro da cidade, estarão patentes exposições sobre as “Memórias do Corpo de Deus”.

Para Antonino de Sousa, Presidente da Câmara Municipal de Penafiel, “A festa do Corpo de Deus é uma das maiores tradições seculares de Penafiel. Apesar de todos os constrangimentos provocados pelo COVID19, queremos criar soluções inovadoras e simbólicas para assinalar os nossos eventos seculares que são queridos aos Penafidelenses e à sua identi­dade enquanto povo. Foi assim com as Endoenças, em abril, e vai ser agora com o Corpo de Deus, também de forma especial. Penafiel orgulha-se de ser dos poucos territórios, que mesmo com a pandemia do COVID 19, conseguiu adaptar-se a esta situação sensível e não esqueceu as suas tradições e as suas origens.

Recorde-se que o Município de Penafiel já tinha preservado a tradição das Endoenças com a colocação de cerca de 3.000 velas, durante alguns minutos, no cais de entre-os-rios, que no seu conjunto exibiram uma cruz, as silhueta de Jesus Cristo e de Maria, e ainda a frase “Juntos vamos vencer”. Esta iniciativa pretendeu também enviar uma mensagem de fé, esperança e união, neste momento sensível.

A Câmara Municipal de Penafiel apela, mais uma vez, à comunidade para cumprir, com responsabilidade e serenidade, todas as recomendações das Autoridades de Saúde.

Enquadramento Histórico

A festa do Corpus Christi, ou Corpo de Deus, foi instituída no séc. XIII.

Em Portugal, sabe-se que a celebração do Corpo de Deus remonta pelo menos ao reinado de D. Dinis, tendo começado a ser celebrada em 1282, embora haja referencias a tempos anteriores. A partir do início do séc. XIV que rapidamente passou a ser festejada em muitas vilas e cidades do Reino. Era, antigamente, celebrada com danças, folias e procissões em que o sagrado e o profano se misturavam. Representantes de várias profissões, a serpe, e outros elementos desfilavam pelas ruas, e hoje em dia Penafiel mantem grande parte da tradição associada à festa do Corpo de Deus, como por exemplo as danças dos ofícios.

Em Penafiel sabe-se que a celebração do Corpo de Deus deverá ser bastante anterior ao séc. XVII e à elevação do lugar de Arrifana de Sousa à categoria de Vila, dizendo-se já em 1657, data do mais antigo Tombo das Festas do Corpo de Deus que se fazem por el-Rey nosso senhor neste lugar de Rifana de Souza, que aqui se realizavam estas festas por immemorial costume.

O Corpo de Deus de Penafiel reveste-se hoje de características únicas no país, não só pela manutenção da secular celebração desta grandiosa festa da cidade e do concelho, como pela persistência de vários dos elementos profanos que originalmente a compunham, unindo-se umbilicalmente à dimensão sagrada da solenidade.

Reinventando-se ao longo do tempo, com uma dinâmica própria de adaptação constante às circunstâncias do devir histórico, a festa do Corpus Christi penafidelense soube manter a singularidade que a distingue, marcando profundamente a identidade e a memória colectiva desta comunidade, e constituindo-se como uma importante referência do património imaterial local, único no país.